Sunday, June 8, 2008

Sonhei contigo!

Era domingo de manhã e Inês tinha dormido um pouco mais. Acordou, mas deixou-se ficar de olhos fechados pois ainda não sabia se tinha sonhado ou se tinha acontecido. Queria muito que fosse real… Lentamente, abriu os olhos e percebeu que não tinha passado de um sonho. Deixara para trás a temporada de sonhos estranhos e tumultuosos e voltava a sonhar com Samuel. Sonhos que eram tão reais que a deixavam sempre na dúvida. Era o terceiro dia consecutivo que sonhava com ele, e se por um lado a deixava contente, por outro lado deixava-a cheia de saudades.
Inês levantou-se e foi tomar um duche e relembrou o seu sonho.

Estava a amanhecer e Inês ainda estava meio a dormir. Sentiu um peso no seu braço. Mexeu-se e percebeu que não estava sozinha. Samuel repousava nos seus braços e dormia como um anjo. Ela nem se mexeu. Não o queria acordar. Os raios de sol da manhã entravam pelas frestas da janela e dava para ver os contornos daquele rosto lindo. Dormia profundamente e, por isso, Inês deixou-se ficar a admirar a sua beleza. E pensou na felicidade que a inundava naquele momento, apenas por ter tido a possibilidade de se enroscar naquele corpo, por ter tido a hipótese de ser a sua almofada, por poder tocar e afagar o seu cabelo. Simplesmente por poder estar ali, naquele momento. Lembrou-se da noite anterior em que Samuel lhe ligou e disse: “Inês, preciso de companhia, preciso de ouvir alguém falar. Posso ir ter contigo?”. Inês tinha sido apanhada de surpresa mas aceitou. Falaram um pouco, e decidiram ir deitar-se. Ele olhou-lhe nos olhos e não foi preciso dizer mais nada. Inês sabia o que aqueles olhos diziam, e falou por ele:
- Eu sei que queres fechar os teus olhos e não ver ninguém em teu redor. Queres viver contigo próprio. No entanto, a solidão mata-te e, às vezes, precisas de sair do teu canto e ouvir alguém a falar contigo. Só ouvir… Não te preocupes! Eu vou falar até saber que estás a dormir.
Samuel sorriu. Ela tinha acertado. Conhecia-o bem.
- Fecha os olhos e deixa-te levar. Deixa vir o sono e não penses em nada. – disse Inês.
E acariciando-lhe os cabelos, foi falando, falando. Quando percebeu que Samuel já tinha adormecido, disse-lhe:
- Meu lindo, sei que não te tenho, mas obrigada por esta oportunidade. Obrigada por dormires nos meus braços. Obrigada por me deixares dormir junto a ti. Vou guardar o teu sono, vou-te fazer esquecer os teus pensamentos maus, como já fiz em tempos. Ainda gosto muito de ti. Descansa, meu anjo!
Apesar de parecer adormecido, Samuel levantou a mão e acariciou o rosto de Inês e disse:
- Obrigado pelo carinho!

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