Thursday, March 27, 2008

All that I know is I'm breathing

O dia tinha sido bastante calmo... aliás os últimos tempos apesar de todos os acontecimentos não se podiam chamar tumultuosos! No final parecia que tudo se conseguia compôr!
Mas hoje havia algo de especial, algo que deixou Inês a pensar no valor das coisas!
"Andamos todos para aqui a correr em direcção nenhuma, a tentar superar barreiras, a tentar ser melhores nesta ou naquela função. Até ao dia em que algo acontece a alguém próximo! Então paramos. E esse acontecimento faz-nos pensar...faz-nos medir as nossas perspectivas de vida, os nossos objectivos, os nossos erros, as nossas faltas! E então vemos, que tudo o que fizemos até à data não tem valor algum. Tudo o que fizemos por alguém foi pouco! Tudo o que dissemos a alguém que gostamos foi escasso! Todos os erros por mais pequenos que pareçam foram enormes! Todas as faltas foram tremendas!
Até ao dia em que somos expostos ao sinal de que a vida não é simples e sempre linda! Em que percebemos que para se morrer só é preciso estar vivo! E que num segundo, sem darmos por isso, podemos ter perdido tudo o que mais valorizamos...
A sombra da doença e da perda de vida pairou sobre a minha cabeça em dois casos distintos, mas muito próximos no tempo. E isso trouxe-me uma perspectiva diferente da vida.
Em tão pouco tempo vi alguém a ser operada sem saber o desfecho da operação e outro a passar-lhe os 21 anos de vida à frente dos olhos em segundos de uma ultrapassagem errada...
Dei por mim, a pensar como a vida é curta e como me faltava experimentar tanta coisa e dizer tanta coisa. Dei por mim a pensar como o desfecho daquela operação podia ditar o futuro de uma pessoa, e de toda a familia. Dei por mim a pensar que, provavelmente, aquela ultrapassagem estava a deitar por terra os sonhos de alguém. Que apesar de o deixar viver, lhe estava a estragar a possibilidade de se endireitar.
O que fiz? Não sei se chegou, se foi suficiente ou se alguma vez terá resultados positivos a estas pessoas que precisavam de apoio. Mas... mãe tentei manter-te de espirito positivo e acreditei que ias sair deste precalço bem e como nova!
Miguel, foi bom pensar que pude ajudar de alguma forma, mesmo que essa ajuda tenha sido pequena. E foi bom ver-te animado e com sorriso na cara, achando que vais sair do hospital bem rápido!
Aos dois, boa sorte e cá estarei no que puder!"

Because all that I know is that I'm breathing
All I can do is keep breathing
All we can do is keep breathing

Sunday, March 23, 2008

Jeff Buckley "Last Goodbye"


Did you say 'no, this can't happen to me,'
And did you rush to the phone to call
Was there a voice unkind in the back of your mind
Saying maybe you didn't know him at all
You didn't know him at all, oh, you didn't know

Monday, March 10, 2008

O AMOR TAMBÉM DÓI


Um amigo mostrou a Inês uma música e contou-lhe que tinha sido escrita por uma pessoa que tinha terminado uma relação e que tinha ficado tão magoado que já não acreditava em nada.
Inês já a tinha ouvido, mas naquela manhã decidiu ouvir a letra com mais atenção. Aquela pessoa, tal como Inês estava completamente descrente nas relações. Falava em não acreditar em “beijos no altar”, “grinaldas e flores” e que a fé estava escondida no meio de recordações. Aquelas palavras diziam-lhe tanto…
Inês reviu na sua cabeça o tempo da sua vida que tinha andado em busca de amor e carinho. É uma verdade que o encontrou, em certos períodos, mas o que isso lhe trouxe foi também muita tristeza e amargura. Amargura essa que fez dela uma pessoa revestida com uma armadura de pedra onde nada entra, nada passa.
Inês sabia que também tinha errado e podia identificar onde tinha errado. No entanto, nem todos os erros tinham sido dela. Em todas as relações sempre ouviu que ela não dava o suficiente, que a entrega não era completa, que não se podia contar com ela.
Ela achava que tinha dado o que lhe era possível em todos os momentos, que se tinha entregue na totalidade. Mas e se não o tivesse feito? Será que ambas as partes numa relação se entregam na totalidade? Ou deixam sempre aquele “jardim secreto” onde ninguém entra?
A conclusão a que Inês chegou é que o amor tem um período de encantamento e, que terminado esse período é preciso fazer muito para manter a chama viva. É preciso deixar a rotina de lado, pois é ela que mata o amor. É preciso encantar para ser encantado, é preciso amar para ser amado, é preciso surpreender para ser surpreendido. Porque se deixamos de encantar, se deixamos de “alimentar” o lado bom da relação então, deixamos morrer o que alimenta o amor. Começa a crescer a intolerância, a falta de paciência, a falta de amor pela outra parte. Desse ponto até cada um ir para seu lado vai um caminho muito curto.
A libertação de certas relações pode ser um alívio, mas de outras deixa tantas marcas e tanta dor que se fica num limite difícil de tolerar. E isso magoa tanto que a opção é nem tentar de novo e ficarmos no nosso canto. Sim, porque o amor também dói…e muito!

In o livro que estou a escrever…

Thursday, March 6, 2008

Quando a tristeza vem sem avisar...

O dia chegou finalmente ao fim para Inês. Eram quase 10h da noite quando entrou em casa. Atirou-se para o sofá sem qualquer cerimónia. Estava de rastos! Doía-lhe cada osso, cada músculo do seu corpo. O dia não tinha sido mau, mas também não tinha sido nada de espectacular. Tinha várias coisas para tratar, mas acabava por muitas vezes perder a orientação. Sentia como se tivesse de carregar o mundo às costas…

Estava triste sem razão e com todas as razões. Até a ausência de um dos cães fazia muita diferença. Não queria pensar em nada, mas os pensamentos afluíam-lhe à cabeça.
Era a primeira vez desde que tinha tomado a decisão de ficar sozinha, e de levar essa decisão adiante, que se sentia triste e só.
Apetecia-lhe chorar sem, no entanto, ter uma razão específica para o fazer. Tinha pessoas que queriam estar por perto, mas Inês afastava-as. Tinha o que fazer, mas não se conseguia concentrar em nada. Não percebia se se devia focar em algo ou relaxar um pouco. O cansaço físico era demasiado, mas Inês estava sempre a tentar atingir os seus limites. Era como uma espécie de teste a si mesma.
Nem às suas aulas de yoga conseguia ir, pois ainda era o que a ajudava a equilibrar.

Era tal como Samuel lhe tinha dito, e que ela própria sabia, haveriam dias em que a solidão se ia tornar insuportável. Hoje era um desses dias…
Ainda deitada no sofá, Inês pensava: “Não preciso de nada em especial…só daquela pessoa que me poderia fazer sentir especial neste momento. Daquela pessoa que não me ia perguntar o que se passa, porque percebe que não é essa a razão da tristeza, mas sim porque não estou bem. Precisava daquela pessoa que se ia sentar no sofá, dar-me o colo para encostar a cabeça, fazer-me carinhos e falar de coisas banais até me deixar adormecer. Coisas tão simples mas tão difíceis de alcançar!”

Não posso mais lutar
Contra o que sinto
Se sinto o que penso
Tu estás sempre comigo