Friday, June 27, 2008

Desta vez não foi só um sonho!

O que umas semanas atrás tinha sido um sonho, tornara-se realidade. Inês nem queria acreditar!
Estava um calor tremendo e Inês acordou a meio da noite. Teve de parar um pouco para perceber onde estava. Sentia-se tonta. Uma luz ténue permitiu-lhe reconhecer o espaço. Mexeu a mão e sentiu alguém! Abriu os olhos e a pouca luz que entrava no quarto permitiu-lhe reconhecer Samuel. Inês ficou simplesmente a admirar aquela imagem. “Não posso acreditar! O que desejei abraçar este corpo e agora... O que pedi para ter esta oportunidade de novo!”. E ali estava ele, a dormir como um anjo ao seu lado.
Inês nem se queria mexer com medo de o acordar. Samuel dormia profundamente abraçado a ela. Tinha a sua cabeça encostada ao peito de Inês e estava aninhado como se precisasse de protecção. Estava sereno.
Inês sentia como se o seu coração fosse saltar pela boca. Conseguia agora lembrar-se de que tinham estado a conversar e do que tinham falado. Um monte de disparates, claro! Típico daqueles dois. As conversas às vezes eram tão surreais que acabavam em boas gargalhadas. Era muita loucura que circulava nas veias de ambos. Uma loucura saudável! Quando esgotaram a conversa, ficaram em silêncio e imóveis na escuridão do quarto. Só se sentia a respiração de ambos. Ambos sabiam que o movimento de um deles evitaria que fossem dormir. Tocaram-se no silêncio daquela noite. Eram apenas os dois. Nada mais interessava naquele momento! Os seus corpos moviam-se como se tratasse de uma dança bem estudada e num ritmo que ambos conheciam, ao som de uma música silenciosa. Quando a “música” terminou, estavam os dois cansados e em silêncio encostaram-se um ao outro para dormir.
-Não consigo dormir! - disse Samuel. - Tenho a cabeça cheia de pensamentos.
E sem dizer nada Inês levou a sua mão à cabeça de Samuel e começou a mexer-lhe no cabelo. Sabia que ela gostava e que o acalmava para dormir.
- Obrigado. Gosto tanto que me façam isso!
- Pára de falar e descansa! – disse Inês. Ela sabia muito bem do que ele gostava, nem era preciso pedir.
Não foi preciso muito tempo para Samuel adormecer. Inês ainda se manteve acordada durante mais um bocado, alimentada pelos seus pensamentos. A sua cabeça também estava muito acelerada e precisava de uns momentos a sós consigo mesma, para que o sono viesse. Navegava nos seus próprios pensamentos, numa mistura de acontecimentos reais com imagens da sua imaginação. Olhou para aquela pessoa ali deitada, para o seu ar sereno enquanto dormia e abraçou-o. Samuel num impulso natural aninhou-se nos seus braços e agarrou a mão de Inês. Ela sorriu, feliz por estar ali naquele momento, apesar de saber que era um momento muito ténue e frágil.
Ela acordou várias vezes durante a noite. Todos os barulhos, todos os movimentos a faziam acordar. De todas as vezes que acordava, abria os olhos e tocava em Samuel. Só para ter a certeza de que não estava a sonhar. Mudava de posição, muito lentamente para não perturbar o sono dele. Inês mexeu-se para mudar de posição e Samuel apertou-a entre os braços. Ela sorriu fez-lhe um carinho e voltou a dormir de tão contente que estava com aquele abraço.
Outras vezes, era ele quem rodava na cama, mas instintivamente procurava a mão de Inês, agarrava-a e punha-a em contacto com a sua pele. Inês acomodava-se na nova posição, fazia-lhe um carinho e adormecia de novo.
Estava a amanhecer e o despertador de Inês tocou. Apressou-se a desligar porque o Samuel ainda iria ficar a dormir. Deu uns minutos a si mesma antes de se levantar, sentou-se na cama e ficou simplesmente a ver Samuel. Dormia calmamente. Deu-lhe um beijo e sussurrou ao ouvido:
- Dorme bem!
- Obrigado. – respondeu ele.
Inês levantou-se com um aperto no coração. Sabia que muito provavelmente não teria outra hipótese como esta tão cedo. Mas tinha valido a pena! E desta vez não tinha sido só um sonho….

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