Wednesday, July 18, 2007

A HISTÓRIA DE DOIS ANJOS


Inês era uma rapariga triste com a vida. Uma vida cheia de rotinas desinteressantes e sem vontade de realizar coisas novas, pois certamente seriam apagadas por algo com mais importância.
Samuel, um rapaz independente gozava a vida tirando proveito de todos os seus hobbies. Não tinha ninguém, mas tinha os seus dias preenchidos. Não queria deixar entrar ninguém na sua rotina diária.

Um dia, casualmente, Inês e Samuel encontraram-se e foram vivendo lado a lado sem se aproximarem muito do espaço de cada um. Até ao dia, em que ambos sentiram necessidade de se aproximar, de se conhecer, de sentir como era o outro.
E assim começa a história de dois anjos para quem a vida passou a ser uma sucessão de novidades e sentimentos extremos.

Inês sempre teve a ideia que a palavra escrita nunca desaparece e que fica gravada para sempre. Daí que, um dia, Inês escreveu a Samuel estas linhas:
“O dia de hoje é marcado pelo momento a partir do qual alguém trouxe, de novo, luz à minha existência. Vivia numa rotina sem sentido, num passar de tempo sem sentido, quando comecei a sentir vontade de falar contigo, de te ouvir. Quando dei por mim, estava a abrir o meu coração e a falar-te de coisas tão íntimas! Mas sentia-me bem e isso era o que importava! Ao fim do dia, a minha cabeça revia todas as nossas conversas, todos os nossos movimentos, e vivia disso… dessa alegria de ter alguém presente!
Nunca me tinha sentido assim… feliz por ter alguém simplesmente ao meu lado! Essa presença foi crescendo até se tornar um continuo na minha vida. Foste tu que me fizeste desabrochar, que abriste partes do meu coração que nem eu conhecia! Criava a pensar em ti!
E agora, olhando para trás fica a mágoa dos momentos perdidos por mal entendidos, por palavras mal empregues, por teimosias de duas cabeças duras! O tempo que perdemos e não usámos para nos realizarmos!
Estas serão as palavras que nunca te vou poder dizer.
Foste e sempre serás um anjo caído do céu, expressamente para mim!”


E assim foi. Inês escreveu mas nunca entregou estas palavras a Samuel. No entanto, sabia que Samuel, onde quer que estivesse sabia disto tudo. Ela podia não ter dito, mas sabia que tinha passado de muitas outras formas estas palavras, nos momentos em que estavam próximos.

A Inês e Samuel, dois anjos perdidos nesta vida…

(…)
They're Trapping Angels
By the Potomac
But it's not how you think
You'd be surprised
They Liberate
Your Dreamscape
Till you can't remember
To recall
Where your wings
Have gone

Before I close my eyes
I can still you smilin'
Before the Truth was
Buried Alive
Did we prize it
Before you change the world
Maybe boy you should change
Your girl
(…)
“Angels” by Tori Amos

In o livro que estou a escrever

Wednesday, July 4, 2007

A COR DO TEU OLHAR


Sempre odiei fitar nos olhos de alguém. Sentia como se me conseguissem ver por dentro, perceber o que se passava na minha cabeça, chegar ao meu lugar sagrado que é meu e só meu – o lugar dos meus pensamentos - .
Sempre olhei as pessoas em pontos diversos na cara: o nariz, a testa, a boca principalmente, mas nunca os olhos. Só mesmo à família olho nos olhos. Menos a ti…tu, a excepção à minha regra!

Parecia que os teus olhos tinham íman e que me atraíam a fixá-los! Esses olhos lindos, que tanto me disseram ao longo do tempo.
Os olhos falam, os olhos e a expressão em redor deles, dizem tanto… Será que sabias disso? Que os teus olhos falam? Pois é, esses olhos de adulto com olhar de criança. Tu ainda vês o mundo como se fosses uma criança. Para ti só há bom e mau, bonito e feio, grande e pequeno. Não tens meio termo, não vês o que fica no meio. Só vês o dar tudo e o dar nada. Mas no meio também pode residir a beleza das coisas.

O teu olhar tem cor! Diz se hoje está azul radioso, cinzento claro ou se está negro como a noite. O teu olhar é o teu espelho. Se está azul e claro, estão abertos e brilhantes como duas pedras preciosas. Se está cinzento, fecham-se ligeiramente e ficam com expressão de apreensão. Se está negro, então cerram-se num misto de dor e raiva. Carregam duas rugas nessa testa e andam assim até que consigas dar o primeiro sorriso do dia. São os olhos com mais expressão que conheci e, que tive hipótese de avaliar com mais cuidado. Fazem transparecer os teus medos, as tuas ansiedades, as tuas alegrias e mesmo os teus projectos…

Quando demonstram a alegria que vai aí dentro são capazes de iluminar o espaço onde te encontras, de alimentar todos os que te rodeiam com essa energia contagiante, com a criança que vive dentro de ti.
É esse olhar de criança que te faz viver de forma irreverente. É um olhar traquina de quem leva uma miúda para uma praia deserta numa noite de verão, mas fica desapontado por estar a ser montado um baile e não se conseguir ver o luar.

Ser adulto é aborrecido, é olhar tudo de forma séria, é deixar de sorrir com o olhar, é perder o brilho da irreverência.

Obrigada por me deixares ver o mundo com os teus olhos e por me ensinares a olhar tudo com os olhos de uma criança. E nunca deixes de sorrir com o teu olhar, porque aí sim, têm a cor mais bela e indescritível que alguma vez vi…

IN o livro que eu estou a escrever :)

Tuesday, July 3, 2007

AMOR, LIBERDADE E SOLIDÃO


“Amor não significa o que normalmente entendemos como tal. O amor comum é um simples fingimento; há algo oculto por trás dele. O verdadeiro amor é um fenómeno totalmente diferente. O amor comum é exigente, o verdadeiro amor é partilha. Nada acontece de imposição; só a alegria da dádiva.
O amor comum vive de aparências. O verdadeiro amor é autêntico; simplesmente, é. O amor comum é quase doentio, adocicado, escorre, é o que chamamos “amorzinho”. É enjoativo, nauseante. O verdadeiro amor é alimento, fortalece a alma. O amor comum só alimenta o seu ego – não o seu verdadeiro eu, mas o seu eu ilusório. (…)
Torne-se um servidor do verdadeiro amor – e isto significa tornar-se um servo do amor na sua pureza última. Dê, distribua o que tem, reparta e goze a partilha. Não o faça como se fosse um dever – senão toda a alegria desaparece. E não se sinta obsequioso em relação aos outros, nunca nem por um único momento. O amor nunca é constrangimento. Pelo contrário, quando alguém recebe o seu amor, você sente-se obsequiado. O amor é grato quando recebido.
O amor nunca espera ser recompensado ou mesmo agradecido. Se o agradecimento surge do outro lado, o amor surpreende-se sempre – é uma surpresa agradável, visto não ter expectativas.
(…) O amor irreal traz consigo frustração e o verdadeiro amor satisfação.
(…) Sirva o amor através do amado, para que nunca fique prisioneiro dele. E quando alguém não é prisioneiro do amante, o amor atinge o seu auge. No momento em que se deixa prender, a queda leva-o para baixo. Devotar-se é semelhante a gravitar – desligar-se é a graça. O amor irreal é um sinónimo de devoção; o amor verdadeiro é muito desprendido.
(…)
O amor conhece a compaixão, mas não a preocupação. Por vezes é difícil, porque por vezes é necessário ser-se duro. Por vezes é muito reservado. Se o distanciamento ajudar, afaste-se. Por vezes é muito frio; se for necessário ser frio, seja-o. Qualquer que seja a necessidade fantasiosa, o amor é atento – mas não preocupado. (…)
Procure, medite no amor, experimente-o. O amor é a maior experiência da vida, e aqueles que vivem sem experimentar a energia do amor nunca conhecerão o que é viver. Permanecerão na superfície, nunca conseguindo alcançar a sua essência.”

In “AMOR, LIBERDADE E SOLIDÃO” - OSHO