Thursday, February 14, 2008

If I'm wrong, I ain't right...

I made up my mind
No need to think it over
If I’m wrong I ain’t right

Depois de muito ponderar sobre os últimos três anos da sua vida Inês, finalmente, tomara a sua decisão. Tinha sido um período de experiências boas e más e, sem sombra de dúvida, muito contraditórias. No entanto, aprendeu muito. Viu que existe muito para além do mundo em que cada pessoa vive. Aprendeu a não rotular as pessoas pela impressão que causam, aprendeu a não condenar as atitudes dos outros. Passou a olhar para si antes de olhar para os outros. E, a verdade, é que os outros deixaram de importar… a opinião que podiam ter sobre ela não interessava!
“Cada um faz o que acha melhor naquele determinado momento! Se tomou a decisão acertada, perfeito! Aprendeu pela positiva. Se tomou a decisão errada, só é preciso não a tomar de novo e aprender a calcular melhor.” – pensava Inês.
Mas acima de tudo Inês aprendeu o preço da solidão e da forma mais dura. E isso fazia-a pensar constantemente naquela pessoa que ainda lhe dizia tanto. Decidiu ter uma última conversa franca e aberta com Samuel.
- Sabes Samuel, não sei se alguma vez te disse isto, mas foste muito importante para mim! – dizia Inês, calmamente.
- Acho que disseste, sim! Mas podes dizer outra vez. Ajuda o ego de qualquer um, não? – disse Samuel em tom de brincadeira.
- Não estou a brincar, Samuel. Estou a falar a sério! – havia um tom aborrecido na voz de Inês.
- Diz então. Porque fui assim tão importante para ti? – ainda com um sorriso nos lábios.
As palavras que se seguiram foram as mais sentidas que Inês alguma vez disse a alguém. Decidira abrir o seu coração e deixá-lo falar. Só não conseguia olhar Samuel nos olhos. E, pregando os olhos no chão, começou a falar. A voz saia-lhe clara e calma.
- Aprendi muito contigo. Não foram coisas que me tivesses ensinado directamente, mas foram as situações em que nos vimos envolvidos que me mostraram muito.
Dizendo isto, Inês esboçou um sorriso enquanto se relembrava de algumas dessas situações.
- Lembraste quando nos tornámos mais próximos? Eu estava praticamente sozinha e muito triste. Trouxeste alegria à minha vida. Trouxeste vontade de rir, de sorrir e de fazer o mesmo por ti. Foram momentos tão felizes que vivi que não tenho palavras para os descrever. Prefiro guardá-los na minha memória e recapitulá-los sempre que preciso de força. Trouxeste-me à superfície da água quando pensei que me estava a afogar. Conheci o que é ter ao meu lado um companheiro, um amigo, um amante, alguém que me fez sentir amada e me deixou dar amor.
Inês parou de falar. Sentia as lágrimas a chegar, como quem vem a correr atrasado. Por isso, parou, respirou fundo e quando se sentiu capaz, continuou.
- Se olhar bem aos nossos dias, eles eram pura e simplesmente perfeitos! Mas esquece isso, que não é onde quero chegar… Quero-te dizer que quando perdi a tua presença, quando te perdi a meu lado, fiquei completamente desorientada. Parecia que tinha perdido o controlo do meu carro e sentia-me às cambalhotas dentro dele, sem saber para onde me virar. Quando parava, tentava ver qual o caminho a seguir, de cabeça erguida, mas tinha sempre que haver algo que me fazia tropeçar outra vez.
Neste momento, Samuel já tinha mudado a sua expressão. Já tinha desaparecido aquele olhar de brincadeira, e tinha sido substituído por uma expressão um tanto ou quanto apreensiva. Ele sabia muito bem tudo o que se tinha passado, porquê Inês lhe estar a relembrar isto tudo?
- Podes saltar essa parte? Eu sei tudo isso. Estava por cá esqueceste-te? – começava a ficar irritado por não perceber onde Inês queria chegar. Afinal, ela era perita em criar confusão.
- Desculpa! Sei que já estou a divagar. Mas… cá vai!
Inês respirou fundo como que a ganhar forças para chegar onde queria. Forças para conseguir dizer tudo o que queria.
- Sofri muito com a tua ausência. Nunca pensei que a ausência de alguém fizesse doer tanto, sabes? Chega a ser uma dor física, uma dor profunda ao meio do peito.
Samuel estava a ficar impaciente. Já tinha duas rugas profundas entre os olhos e estava prestes a sair dali se ela não terminasse rapidamente.
- Tudo isto para te agradecer! – disse Inês em tom de alívio, mas não levantando o olhar.
- Agradecer!? – Samuel estava perdido. Onde é que ela quereria chegar agora?
- Toda a minha vida achei que vivemos em busca daquela pessoa que nos vai fazer feliz. Uns encontram, outros não! Eu tinha a certeza de ter encontrado essa pessoa…mas os “pedregulhos” da vida fizeram com que a perdesse. – de novo um tom de tristeza e amargura, pois era o que na realidade sentia.
Levantando a cabeça, e olhando Samuel nos olhos, continuou:
- Perdi-te e isso doeu muito. Mas, ao mesmo tempo, ajudou-me a perceber que não quero mais ninguém no meu caminho. A dor da solidão transformou-se numa paixão por essa mesma solidão. Aprendi a estar comigo, a usufruir do tempo que tenho, seja para mim, para o trabalho ou para lazer. Tenho feito coisas que adoro e estavam esquecidas. Ler, escrever, estudar, trabalhar… crescer!
Inês fez uma pausa, para ganhar forças. Estava a chegar ao ponto que queria e que iria encerrar aquela conversa. Estava prestes a pôr um ponto final em mais uma fase da sua vida. Olhou Samuel nos olhos e esboçou-lhe um sorriso terno. Ele estava de olhos bem abertos, à espera do que ainda estava para vir.
- E então? – perguntou Samuel.
- Então? – Inês fez uma pausa - Posso-te dizer que ainda te amo com todo o fervor e garra de antes. Sem qualquer diferença. Mas que peguei no amor que ainda sinto por ti e o transformei em amor por mim, acreditas? E o mais curioso é que me sinto muito bem! Sinto-me feliz, leve, sem obrigações. Apenas com amor para usar.
- Sabes que esse sentimento não vai durar eternamente! – interrompeu Samuel.
- Sim, eu sei. Sei que vão haver momentos tristes, em que essa solidão vai pesar sobre a minha cabeça. Serão alturas em que um abraço sentido poderia fazer milagres. No entanto, que não vou ter quem o dê. Mas… foi a minha opção! Não podemos viver para sempre em perseguição do impossível. Se estiver errada é porque não estou certa! Mas a vida continua mesmo assim. Como tu sempre me disseste “se não te mata faz-te mais forte”!
Inês tinha conseguido dizer tudo o que queria e esperava que isso a tivesse libertado de todos os laços com Samuel, mesmo aqueles que apenas existiam na sua cabeça. Sentia-se aliviada por ter conseguido falar. Samuel ainda estava a recapitular tudo o que tinha ouvido, quando Inês se aproximou dele. Ela beijou-o nos lábios, num beijo calmo, lento e terno. De seguida, afastou-se e saiu.
Samuel ficou de pé, sozinho e perdido com aquelas palavras! Como é possível alguém gostar de estar sozinho? E virou-se de repente pensando que ainda ia encontrar Inês na sala e disse:
- Inês, eu ….
Mas Inês já tinha ido, deixando aquelas últimas palavras no ar.

Tuesday, February 12, 2008

Make you feel my love - Adele



When the rain is blowing in your face,
and the whole world is on your case,
I could offer you a warm embrace
to make you feel my love.

When the evening shadows and the stars appear,
and there is no one there to dry your tears,
I could hold you for a million years
to make you feel my love.

I know you haven't made your mind up yet,
but I would never do you wrong.
I've known it from the moment that we met,
no doubt in my mind where you belong.

I'd go hungry; I'd go black and blue,
I'd go crawling down the avenue.
No, there's nothing that I wouldn't do
to make you feel my love.

The storms are raging on the rolling sea
and on the highway of regret.
Though winds of change are throwing wild and free,
you ain't seen nothing like me yet.

I could make you happy, make your dreams come true.
Nothing that I wouldn't do.
Go to the ends of the Earth for you,
to make you feel my love

Thursday, February 7, 2008

Quando o coração tem buraquinhos…

Em conversa com dois pequenos rebentos, um deles disse-me:
- Sabes, quando estamos tristes o nosso coração fica com buraquinhos!
- O quê? – perguntei eu.
- Sim, o nosso coração fica cheio de buraquinhos quando estamos tristes. Não sabias?
- Então e o que podemos fazer para que o coração volte a ficar normal? – retorqui eu.
- Então, não sabes? Um abraço forte, um beijinho… e ele volta ao normal! - e diz isto com um tremendo sorriso na cara.

Foi então, que pensei nestas palavras tão simples saídas da boca de uma criança.
Era verdade! Com buraquinhos ou não, quando sentimos o coração apertado de tristeza, falta de carinho ou outra razão, basta um beijo com carinho, um abraço forte e conseguimos surgir à tona da água.
No entanto, esta procura de carinho é um caminho com duas opções. A verdade é que, acabamos por gerir muita da nossa vida nessa procura do carinho que a todos faz falta.
Alguns optam por ficar sozinhos toda a vida. Não sei, talvez encontrem esse carinho nos amigos, nos familiares, e isso lhes baste!
Outros há, como eu, que até acho que precisamos de alguém especial ao nosso lado. Precisamos daquela pessoa que não precisa de perguntar se estamos bem ou mal, porque só o nosso olhar diz tudo. Aquela pessoa que aceita as nossas lágrimas sem perguntas idiotas. Aquela pessoa que percebe o nosso silêncio ou a nossa euforia. Aquela pessoa que respeita o facto de querermos estar um pouco sós. Basicamente, aquela pessoa que nos respeita e que respeita o nosso espaço. Aquela pessoa que nos dá um abraço forte e um beijo capaz de nos fazer recuperar as forças… tudo isto, sem cobrar nada! Até porque amanhã, podemos ser nós a dar esse abraço, esse beijo especial, esse carinho!

O amor não pode ser uma cobrança! Ele tem que ser livre para poder retornar! Não pode estar aprisionado, nem ser selado em “contrato”, ou… MORRERÁ!