Samuel estava a ler e Inês olhou-o discretamente sem ele dar conta disso. Ele estava tão envolvido no que estava a fazer que nem deu pelo seu olhar. Ela via-o a ler aquelas folhas, via as suas expressões, a forma como sorria, até mesmo as caretas que fazia. E assim ficou, apenas a admirá-lo. Impressionante como ainda a conseguia deixar sem respiração! Ainda a fazia balançar… e muito! E a cada vez que lhe vinham pensamentos proibidos à cabeça, Inês levantava-se e saia da sala. Ia lavar a cara, ia dar uma volta, ia refrescar as ideias…Mas os pensamentos continuavam a “subir-lhe” à cabeça. “Assim é muito difícil! Já nem sei como me comportar para nem dares pelo facto de ainda pensar em ti. É embaraçoso… mas ainda penso muito em ti! Penso em tudo…das coisas mais banais às mais… Tentei esquecer-te e, por algum tempo, pensei que até tinha conseguido. Mas o que consegui foi esconder-me dos meus sentimentos.
Não quero que percebas nada, nem os meus pensamentos, nem a forma como te olho, nada! Não te quero ver partir para longe. Porque és tu quem ainda traz luz ao meu dia, é nas tuas palavras que ainda arranjo forças para levar um dia atrás do outro. Sei que nunca vou ter outra hipótese como a que tive na minha vida, por isso vou vivendo de recordações! Deves pensar que é deprimente viver de recordações, mas pelo menos as recordações não magoam, como as pessoas podem magoar!
Às vezes penso que vou ficar maluca com os “filmes” que construo na minha cabeça. No entanto, realidade ou não, deixam-me feliz e eu não quero ficar triste…nunca mais na minha vida!”
Chegou finalmente o fim do dia, e Inês podia tentar desacelerar um pouco, parar de pensar, parar de rever imagens na sua cabeça. Sentar-se no sofá e ver um filme só para se distrair. “Há dias assim!”, pensou ela, “Dias em que os nossos pensamentos não nos dão descanso. Dias em que por muito que se tente, o pensamento final é sempre o mesmo”. No caso de Inês, tinha sido um só. Tudo continuava a rodar em torno daquela pessoa, daquele sorriso que ainda a fazia sorrir, do som daquela voz que ainda a fazia tremer. Mas ela não se importava… muito pelo contrário!
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