Thursday, March 6, 2008

Quando a tristeza vem sem avisar...

O dia chegou finalmente ao fim para Inês. Eram quase 10h da noite quando entrou em casa. Atirou-se para o sofá sem qualquer cerimónia. Estava de rastos! Doía-lhe cada osso, cada músculo do seu corpo. O dia não tinha sido mau, mas também não tinha sido nada de espectacular. Tinha várias coisas para tratar, mas acabava por muitas vezes perder a orientação. Sentia como se tivesse de carregar o mundo às costas…

Estava triste sem razão e com todas as razões. Até a ausência de um dos cães fazia muita diferença. Não queria pensar em nada, mas os pensamentos afluíam-lhe à cabeça.
Era a primeira vez desde que tinha tomado a decisão de ficar sozinha, e de levar essa decisão adiante, que se sentia triste e só.
Apetecia-lhe chorar sem, no entanto, ter uma razão específica para o fazer. Tinha pessoas que queriam estar por perto, mas Inês afastava-as. Tinha o que fazer, mas não se conseguia concentrar em nada. Não percebia se se devia focar em algo ou relaxar um pouco. O cansaço físico era demasiado, mas Inês estava sempre a tentar atingir os seus limites. Era como uma espécie de teste a si mesma.
Nem às suas aulas de yoga conseguia ir, pois ainda era o que a ajudava a equilibrar.

Era tal como Samuel lhe tinha dito, e que ela própria sabia, haveriam dias em que a solidão se ia tornar insuportável. Hoje era um desses dias…
Ainda deitada no sofá, Inês pensava: “Não preciso de nada em especial…só daquela pessoa que me poderia fazer sentir especial neste momento. Daquela pessoa que não me ia perguntar o que se passa, porque percebe que não é essa a razão da tristeza, mas sim porque não estou bem. Precisava daquela pessoa que se ia sentar no sofá, dar-me o colo para encostar a cabeça, fazer-me carinhos e falar de coisas banais até me deixar adormecer. Coisas tão simples mas tão difíceis de alcançar!”

Não posso mais lutar
Contra o que sinto
Se sinto o que penso
Tu estás sempre comigo

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