Saturday, September 27, 2008

Espero estar certa...

Eu tinha um sonho. Desde pequena sonhei aquilo que uma boa parte das jovens sonham. Ter um namorado, casar, ter uma linda família, filhos, ou não, um bom emprego, uma casa, um grupo de amigos, e por aí fora. Com o passar do tempo, percebi que o sonho não passava disso mesmo… de um sonho! Relembro agora os momentos de rebeldia durante a adolescência, que não passaram de momentos. Isto porque uma parte de mim não os deixava saltar cá para fora! A outra parte queria mais e mais liberdade, mas a necessidade de ter alguém ao meu lado para me dar força era muito grande! Estava a passar a fase em que tinha de transpor esse apoio única e exclusivamente da família, para alguém que me iria acompanhar o resto da vida (assim pensava eu!).
A escolha foi cedo e rápida, uma escolha que me trouxe alguns momentos de felicidade (não posso negar), mas também muitos amargos de boca, muitas palavras caladas, muitas vontades contidas. Tudo isto em nome de uma relação!
Na minha vida, sempre precisei da palavra calorosa dos outros para engrandecer este ou aquele feito: “parabéns, entraste na faculdade!”, “Parabéns, acabaste a faculdade!”, “Parabéns, vais estudar para fora!”, “Parabéns, foste mamã!” e por aí fora. E quem não gosta de uma palavra de encorajamento por algo. As palavras bonitas, alimentam-nos o ego e a vontade naquele momento mas, muitas vezes são as palavras duras de reprovação que nos abrem os olhos e nos fazem lutar. Tive uma professora com quem trabalhei, que um dia me chamou ao gabinete e me disse as coisas mais duras que alguma vez ouvi. Que nunca tinha visto nada tão mal escrito, e com tantos erros. Na altura, não tinha formação para fazer mais e melhor e, segui cegamente os conselhos da assistente. Claro, que não me podia desculpar com isso… Ao sair do gabinete, rebentei em lágrimas e jurei que havia virar aquele comentário para o oposto! Assim foi, propus-me a alterar aquela opinião quanto antes…Em dois meses reescrevi o meu relatório de estágio (diga-se que estava a ser feito no 3º ano de curso em fez de no último ano :-S) e entreguei uma versão em português e uma em inglês (dado que a minha prof tinha estudado no estrangeiro). Fui de novo chamada e temendo o pior, fui-me preparando! Tremendo que nem varas verdes fui recebida por aquela cara gélida que me disse: “Nunca na minha vida de ensino dei a alguma aluno a nota que vais receber…”. Já antevia o pior! E de repente, vejo um sorriso, que me diz: “ vais receber a nota mais elevada que alguma vez um aluno meu recebeu, 19 valores, parabéns!”. Eu não queria acreditar! Foram palavras e sentimentos que guardo até hoje. Abriram-me portas a nível de trabalho e deram-me o conforto de continuar e fazer mais e melhor. Prof. Rosa, nunca me vou esquecer de si…
E assim continuou a minha pacata vida. Saí do país, naquilo que temi ser uma experiência desastrosa, e se tornou a experiência mais enriquecedora de todas. Foi um marco na minha vida, foi o meu grito de independência, foi um ano de provas e ultrapassar obstáculos. De Agosto 2002 a Agosto de 2003 foi sem dúvida um ano fabuloso! Tive sempre várias pessoas a apoiar-me, mas eu tinha que seguir e fazer as coisas por mim!
Hoje, 5 anos após o meu regresso, sou uma pessoa, muito diferente! Com novos objectivos, com novos horizontes! Com muitos trambolhões em obstáculos gigantescos, mas com muito menos receio de enfrentar o mundo…
Falta-me apenas algumas semanas para dar o passo de gigante que me vai levar aos meus tempos de rebeldia, em que achava que podíamos ser todos felizes sozinhos! Hoje, depois de ter recalcado um monte de coisas, estou a dar o passo em frente. Claro que não estou a 100% sozinha, porque ninguém o está. Tenho comigo a família, sempre a apoiar, as minhas duas grandes amigas e o pessoal com quem trabalho (que apesar dos resmungos, estão sempre prontos ;-) ).
À pessoa que actualmente é a parte resmungona da minha professora, que me chama a atenção, que me abre os olhos e que me faz lutar, obrigada! OBRIGADA POR TUDO! Mas, às vezes, podias dizer que até não está mal de todo… só às vezes! ;-)
Não vou ter alguém ao meu lado, para me acompanhar até ao resto dos meus dias. Não vou ter um marido, amigo e companheiro, mas… na realidade passa tudo por um processo de aprender a estar assim! Espero estar certa…

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