
A cabeça de Inês não parava. Ela bem que tentava, mas os acontecimentos das últimas semanas, impediam-na de descansar, de acalmar…
“Está a ser demais para mim! Como resolvo todos os problemas e preocupações da melhor forma? Vem tudo ao mesmo tempo”, pensava Inês.
Apesar de estar esgotada Inês tentava focar as suas atenções e resolver tudo da melhor maneira.
No entanto, era ao fim do dia que os seus pensamentos se viravam noutra direcção. O silêncio da noite era demasiado e a cabeça não conseguir sair daquela espiral de pensamentos que acabavam sempre na mesma imagem. Às vezes pensava que ia endoidecer, pois a sua cabeça construía imagens, situações, diálogos. Era demasiado e a solidão em que vivia começava a dar sinais.
Inês era uma pessoa muito diferente de há algum tempo para cá. Dantes, vivia os problemas dos outros, as alegrias e as tristezas. Agora, havia percebido que todos viviam demasiado ocupados consigo mesmos e nem olhavam para o lado. Ninguém se queria aperceber que a pessoa com quem estavam a falar podia realmente estar mal e a precisar de ajuda. Durante muito tempo, Inês conseguiu perceber como as pessoas se sentiam e tentava mesmo ajudar. No entanto, foi muitas vezes mal interpretada e, passou a olhar muito pouco para os outros para evitar esse confronto. Vivia os seus próprios problemas e isolou-se. Fez crescer em seu redor uma camada protectora que não permitia nem mostrar os seus sentimentos, nem receber os dos outros. Chegou mesmo a ser brusca e rude com quem se aproximava, pois não queria ninguém perto dela. “Prefiro ficar sozinha”, dizia.
Como refúgio, vivia para o trabalho pois era o que ainda lhe podia trazer algum tipo de alegria. Sabia ser uma pessoa forte, mas por vezes não aguentava e desmoronava como um baralho de cartas. De seguida, arranjava forças no canto mais escondido do seu ser e seguia em frente, levando tudo e todos. Era muitas vezes conduzida pela raiva e pela vontade de não baixar os braços, tudo para não mostrar as suas fraquezas.
Apenas havia uma alma que fazia com que Inês sorrisse, levasse a vida para a frente e mantivesse um objectivo. Ao fim do dia, Inês revia umas quantas palavras que gostaria de dizer a Samuel e que não conseguia. Eram palavras que deveriam ser ditas calmamente e ao ouvido, no sossego de casa e num momento partilhado pelos dois. Infelizmente isso tinha deixado de ser possível.
«Samuel, meu anjo, tenho tantas saudades tuas! Sabes disso, não é? Não consigo chegar perto. Não me permito fazê-lo.
Tenho medo. Não quero sofrer porque cheguei ao meu limite de sofrimento. Não quero chorar porque já sequei todas as lágrimas. Mas queria-te a meu lado. És, foste e sempre serás o meu ombro amigo, o meu pilar de força, a pessoa que me faz sentir bem, que me faz esquecer que tenho coisas chatas para resolver. Curioso, não? Logo tu, uma das pessoas mais sensíveis e a precisar de força exterior.
Ensinaste-me como enfrentar problemas pois muitas vezes contornava-os sem os resolver. Ensinaste-me o que é amar de corpo e alma. Sou uma pessoa diferente nesse aspecto.
Passei a dar muito valor à palavra desculpa junto com o sentimento. Deixei de virar as costas na esperança de que viessem ter comigo. Passei a dizer o que gostava e não gostava, em vez de me deixar levar pelos gostos dos outros.
No final, olho e sei que trouxeste “música” à minha vida. Trouxeste a vontade de agradar e de deixar a minha marca neste mundo podre.
Gostava que sentisses o mesmo. Que pudesses ser feliz ao meu lado, pois eu ainda acredito nisso. Eu estou apostada a fazer-te feliz! Custe o que custar.
És o meu anjo, és uma parte de mim.
Não tens ideia do que custa estar ao teu lado e saber que estás triste, ou que algo não está bem. Noutros tempos, reconfortava-te e só parava quando finalmente adormecias. Aí sabia que tinhas finalmente conseguido acalmar, que estavas sereno. Pelo menos, até à próxima vez. Sofria por ver-te sofrer!
Há palavras tuas que continuam a ressoar na minha cabeça e das quais nunca me vou esquecer! Será que já esqueceste que as disseste um dia?
Uma muito particular foi quando te provoquei por estares a um sábado à noite metido em casa sem fazer nada. Tínhamos comentado que ambos íamos para casa a pensar nas conversas que tínhamos durante o dia. Então, nesse sábado, mandei-te uma mensagem em que te perguntava como era possível alguém encontrar a miúda dos seus sonhos, ficando em casa a um sábado à noite. Lembras-te o que me respondeste? “A miúda dos meus sonhos está a pensar e a sentir o mesmo que eu.” Fiquei gelada e quente ao mesmo tempo, lívida e capaz de cair. Senti um formigueiro que me correu por todo o corpo. A primeira coisa que pensei foi: “Não é possível, estou a perceber mal!”. Acho que reli aquela mensagem mais de mil vezes e mesmo assim não acreditava no que estava a ler… Lembro-me que não dormi, e várias vezes fui ao telefone confirmar o que já tinha lido. Não podia ser! Que tinha feito para receber tal prenda?
De outra vez fui acordada com uma mensagem por volta das 2 da manhã que dizia: “Encontrei a mulher da minha vida!”. Ao que respondi: “Quem é?”. Até tinha medo da resposta mas finalmente veio e dizia “TU”. Não sabes o sentimento que me trouxe. Chorei de alegria! Era muita sorte…
As tuas palavras alimentam-me e vão-me sempre alimentar meu anjo. Sabes porquê? Gosto de acreditar que o futuro ainda nos pode reservar boas surpresas! Quem sabe? È bom enquanto acreditamos e é por isso que aqui andamos.
Meu lindo, adoro-te mais que ontem e menos que amanhã! És uma excelente razão para continuar a viver!»
Como Inês gostava de perceber o que ia na cabeça de Samuel e, se ele ainda se lembrava das lindas palavras que lhe disse ao longo do tempo! As palavras podem até ser levadas pelo vento, mas Inês gostava de acreditar que estas tinham ficado gravadas em algum lado. Só esperava que fosse no coração de alguém muito especial...
In O livro que estou a escrever
6 comments:
Quero, um dia, ler o Livro Todo!!! ;)
Blue Angel: Estou apaixonada por estas duas personagens! São muito reais. Continua a mostrar-nos a face do amor, mas acaba a tua história com Inês e Samuel juntos por favor! Adoro finais felizes e parece que as tuas personagens merecem isso...
Continua
Carlota
Só gostava de conhecer uma Inês na minha vida! Uma mulher apaixonada e lutadora... Será que alguém conhece uma para me apresentar? E para quando uns pensamentos do "Samuel". Acho que todos os que seguimos a tua história gostariam de saber o que o Samuel pensa. Vá BlueAngel! Escreve mais qualquer coisa sobre essa personagem que não percebe o que está a deixar fugir da vida dele...
Mais uma vez parabéns
Pedro Afonso
O que aconteceu a Inês e Samuel para estarem separados? Será que nos podes dar essa parte da história?
Parabéns, estou a adorar...:-)
Sou novo por estas bandas, mas gosto do que escreves! Será que devo dar os parabéns à Blue Angel ou à Inês? Sim, porque as tuas personagens são demasiado reais para serem apenas personagens... Samuel, se andas por aí, não percas a tua Inês,porque alguém que nos ame a sério não é fácil encontrar (fala a voz da experiência!)!!!! E quando deres por isso, já pode ser tarde demais!
Blue Angel, não precisas responder à minha pergunta, mas apenas para te dizer que não és a única neste mundo. Perdi o meu grande amor e ainda estou a tentar reencontrá-lo! NUNCA DESISTAS...E continua a escrever, parabéns!
F
bonito muito bonito concidencia ou nao somos angelicas lol
jokinhas e obrigada pela visita minha sósia
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