
Inês era uma rapariga triste com a vida. Uma vida cheia de rotinas desinteressantes e sem vontade de realizar coisas novas, pois certamente seriam apagadas por algo com mais importância.
Samuel, um rapaz independente gozava a vida tirando proveito de todos os seus hobbies. Não tinha ninguém, mas tinha os seus dias preenchidos. Não queria deixar entrar ninguém na sua rotina diária.
Um dia, casualmente, Inês e Samuel encontraram-se e foram vivendo lado a lado sem se aproximarem muito do espaço de cada um. Até ao dia, em que ambos sentiram necessidade de se aproximar, de se conhecer, de sentir como era o outro.
E assim começa a história de dois anjos para quem a vida passou a ser uma sucessão de novidades e sentimentos extremos.
Inês sempre teve a ideia que a palavra escrita nunca desaparece e que fica gravada para sempre. Daí que, um dia, Inês escreveu a Samuel estas linhas:
“O dia de hoje é marcado pelo momento a partir do qual alguém trouxe, de novo, luz à minha existência. Vivia numa rotina sem sentido, num passar de tempo sem sentido, quando comecei a sentir vontade de falar contigo, de te ouvir. Quando dei por mim, estava a abrir o meu coração e a falar-te de coisas tão íntimas! Mas sentia-me bem e isso era o que importava! Ao fim do dia, a minha cabeça revia todas as nossas conversas, todos os nossos movimentos, e vivia disso… dessa alegria de ter alguém presente!
Nunca me tinha sentido assim… feliz por ter alguém simplesmente ao meu lado! Essa presença foi crescendo até se tornar um continuo na minha vida. Foste tu que me fizeste desabrochar, que abriste partes do meu coração que nem eu conhecia! Criava a pensar em ti!
E agora, olhando para trás fica a mágoa dos momentos perdidos por mal entendidos, por palavras mal empregues, por teimosias de duas cabeças duras! O tempo que perdemos e não usámos para nos realizarmos!
Estas serão as palavras que nunca te vou poder dizer.
Foste e sempre serás um anjo caído do céu, expressamente para mim!”
E assim foi. Inês escreveu mas nunca entregou estas palavras a Samuel. No entanto, sabia que Samuel, onde quer que estivesse sabia disto tudo. Ela podia não ter dito, mas sabia que tinha passado de muitas outras formas estas palavras, nos momentos em que estavam próximos.
A Inês e Samuel, dois anjos perdidos nesta vida…
(…)
They're Trapping Angels
By the Potomac
But it's not how you think
You'd be surprised
They Liberate
Your Dreamscape
Till you can't remember
To recall
Where your wings
Have gone
Before I close my eyes
I can still you smilin'
Before the Truth was
Buried Alive
Did we prize it
Before you change the world
Maybe boy you should change
Your girl
(…)
“Angels” by Tori Amos
In o livro que estou a escrever
6 comments:
Parabéns! Estou a gostar do que escreves e vou começar a passar por aqui com mais regularidade...
Mais uma vez parabéns!
Pedro
Uma pena que a Inês nunca tenha dito essas palavras ao Samuel, porque quando ditas com sentimento as palavras ganham vida!
Continua a escrever
Carlota
...Kem sabe o Samuel não receberá um dia, mesmo que longínquo, esta carta de Inês...
De quelquer forma tenho a certeza que ela a transmitiu de outra forma...com o olhar.
Há coisas ke não vale a pena forçar; há assuntos em que os esforços saõ inúteis...
Acredito que tudo tem a sua hora, por mais vontade que tenhamos de apressar os acontecimentos e o que ansiamos.
Podes fazer tudo o que está ao teu alcance para que os frutos de uma arvore amadurecam mais rapido...mas mesmo que o consigas, eles nunca terão o mesmo sabor...nunca serão tão saborosos e doces como seriam se os tivesses deixado seguir o seu normal processo de amadurecimento!
(Li kk coisa como isto num livro do Osho :) )
Besos
keep on writing !!!
Simplesmente fabuloso! A descrição dos sentimentos dessas tuas personagens está demais...
Blue Angel és uma pedra preciosa pela maneira como escreves e só posso dizer que continues, pois sente-se o que escreves.
A todas as almas desta vida... que um dia se reencontrem com o vosso anjo! É esse o nosso objectivo de vida!
Eu sou cobarde!!!
Queremos mais Posts, BlueAngel !!! ;)
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